terça-feira, 28 de setembro de 2010

Aos Pândegos (inspirado no texto de Diego Schaun)


A cadência da noite me envolve...
Transportei-me para becos e ladeiras
de ladrilhos molhados,
refletindo a luz de postes desenfileirados,
estou de mãos dadas
com um samba qualquer.
Notívagos,
deixamos rastros
de cantos boêmios
(com)passos ébrios.
Madrugadas de ilusões e alegrias...
A Lua por testemunha até ver viria
Pândegos da noite
opondo-se a causticante realidade dos dias.

Fio de Esperança


A tarde cai
e com ela se esvai
o fio da esperança
que insisto em manter.
Um fio tênue, desgastado,
que se dilui por nunca se tornar laço,
por falta de entrelaço,
por não ser o fio da artéria de um coração.

Restam apenas linhas,
farpas,
misturando-se e tecendo
o manto da minha solidão.

Ah, fio de esperança!
Permaneça no meu caminho
mesmo que como corda bamba...
E, se eu cair,
que seja em seu novelo...

O Chamado

Ouço vozes...
Versos me chamam
Tentam despertar-me
Da escuridão das noites sem palavras.
Acorrentado estou em anos de ausência
Fossilizado na solidão.

Ouço vozes...
Versos me chamam
Ou será o meu coração?
Sinto-me arrebatado
A entregar-me ao angustiante vazio
Da folha em branco

Que caminhos percorrer,
Estarei, no primeiro atalho, a desvanecer?
O sumo das palavras
Escorrem da borda da minha alma
Sabor agridoce
Quem dera eu fosse
O poeta dos versos que me fariam.